Quarta-feira, Junho 17, 2009

Portugal Lés-a-Lés: 2ª Etapa : 13/06/2009

7h00: Alvorada

7h40: Partida de Idanha-a-Nova para Castelo Branco, 1272kms, onde tinhamos combinado às 8h com o Rodrigo e Miguel Tiago. Na viagem houve uma paragem para abastecer os tanques.

8h00: Ao chegar à pensão onde os outros dois estavam asilados, cruzámo-nos com eles. Iam em direcção ao hospital. O Miguel Tiago tinha acordado com o lábio 20 vezes mais inchado do que na véspera, dia em que foi picado pela vespa.

8h20: Partida oficial da equipa 345. Eu e Faustino. Mas parámos logo num café à espera que o Rodrigo e Miguel Tiago dissessem alguma coisa.

8h50: Aparecem eles, já com a partida dada. Ele apenas levou uma injecção e teve que tomas uns comprimidos. Partimos às 9h00. Ou seja, os últimos a partir :)

Os primeiros 30kms da 2ª etapa foram sempre a abrir. Sem qualquer paragem até Vila Velha de Ródão. Esta etapa, a segunda, era uma etapa de 508kms, mas ao contrário dos dias anteriores, havia troços de 20 a 50kms sempre a rasgar.

Em Vila Velha do Ródão atravessámos o Rio Tejo, ao qual houve motivo para paragem e sessão fotográfica :) Esta ponte era também a entrada no Alto Alentejo. O Road Book a esta altura dizia "Alentejo. Vais derreter nele quase 10h". Por acaso até foram mais, ou não fossemos nós a equipa sempre atrasada.
A Dream Team: Sempre os últimos. Eu, Rodrigo, Miguel Tiago e Faustino. Ao fundo, a minha babe FJR e a Varadero do Faustino.
Rodrigo a mostrar a mota que levou. A nova Yamaha Ténéré

A viagem continuou. Seguiu-se Salavessa, Montalvão, Póvoa e Meadas (onde a Câmara de Castelo de Vide ofereceu a água: a esta hora, já iamos com uns litros, estavam apenas 32ºC, mas já se sofria mais do que na véspera com 38ºC. Estava seco), um troço de terra e pimba... Menir da Meada, local onde iriamos picar o ponto em mais um Controlo surpresa. Era o segundo do dia, pois o primeiro era na partida de Castelo Branco.

Aqui , uma senhora enlatada (automobilista), a fazer turismo com a sua família, virou-se para a malta e disse "Vocês podiam ter avisado que eram 900 motas. É muita confusão. Deviam de ter divulgado", ao qual o presidente do Lés-a-Lés, que por acaso estava lá respondeu, "Minha senhora, eu sou do Porto. Todos os dias passo por 20 mil carros na VCI e nunca ninguém me avisou" :)))

Abaixo, foto do menir, com um formato à "estátua do parque eduardo VII"
Segiu-se Coureleiros, passámos a Ribeira de Nisa, entrámos em Alagoa e Crato.
Ainda só estavam 32ºC... mas estava mesmo muito seco


Alter do Chão e Fronteira também receberam a visita das mais de 800 motas e mais de 900 pessoas.

Em Fronteira, quando já desesperávamos de sede, à espera de encontrar um tasco aberto para comprar água, aparece o Moto Clube local, a salvar-nos a vida :) Água para a malta e quem precisasse, óleo de corrente...

A partir daqui as temperaturas deram um pulo... de sempre 31, 32ºC saltaram para os 38ºC.

Depois, fomos em direcção a Veiros, com uns caminhos de terra a meio, onde picámos o ponto, bebemos mais umas águas, comeu-se umas empadas de galinha.
Seguimos viagem para Santo Aleixo, Orada, Borba e entrámos num Marmetal de Borba. Onde fazem extração de mármore e onde voltámos a picar o ponto, num Controlo.

De seguida, Vila Viçosa e Alandroal. Aqui, a vista era para vinhas. E lá parámos nós para mais umas fotos com as motas e nós, com um fundo a "saber" a vinho. Lembro-me que estavam nesta zona 36ºC.


De seguida, Terena, Cabeça de Carneiro, Motrinos, Monsaraz, (aqui, perdemo-nos e fizemos mais 20kms do que devia), Mourão, onde no seu castelo se picava o ponto, mas o controlo já tinha sido levantado.

Após este Castelo, fomos almoçar na Aldeia da Luz, onde estava um calorÃO! Mesmo muito mau. Eu meti-me debaixo duma fonte e 5 minutos depois estava seco. O almoço foi no Pavilhão Desportivo e depois ainda fomos uma rua abaixo beber café. Neste café, havia ar-condicionado. Apeteceu-nos ficar lá para sempre, pois cá fora a mota acusava 42ºC. Aqui encontrámo-nos com os últimos. Os gajos que se estavam a picar connosco para ficar em último.

As próximas terras foram Alqueva, Granja, Moura, Barragem de Brinches (barragem que não tinha água!) e Serpa, onde parámos para eu ler em voz alta o que dizia no Road Book e meter medo à malta que "cagou e andou". "Entrámos aqui na 3ª parte da etapa, a da aventura" apresentando uma alternativa de estrada directa a Olhão via Mértola, para quem quisesse desistir. Aqui vimos os últimos a desistir (coisa que afinal não aconteceu).

Muito pó, muita terra, um riacho e pimba: Chegámos ao Pulo do Lobo. Onde era uma descida acentuada de terra, buracos e pedras e eu não me apercebi que as motas tinham que ficar em cima... E lá fui eu e os três que me seguiam até lá abaixo.
O Pulo do Lobo era muito giro. Era tipo um mini Grande Canyon de Portugal. Aqui está a cascata mais alta de Portugal, pertencente ao Rio Guadiana. Aqui picava-se o ponto, mas mais uma vez, já tinham ido embora. Chamava-se assim, porque os Lobos, em caça, aqui conseguiam saltar de uma margem para a outra

A subir, o Faustino teve um precalço. Deixou a mota parar na subida e por azar, logo num sitio em que era buracos de um lado e de outro, ou seja, não tinha é de apoio. Resultado, deixou cair a menina Varadero. Felizmente nada de grave na mota e ele nem sequer caiu.

De seguida algumas fotos do Pulo do Lobo e das motas, na descida.












Seguiu-se alcatrão pelas Minas de São Domingos, Mértola, Alcaria de Javazes e pimba.. mais uns 10kms de terra e pedras. A meio, passámos a Ribeira do Vascão, onde estava o Moto Clube de Albufeira lá, e os picas do controlo já tinham bazado.

Já estava a anoitecer e ainda tinhamos terra para fazer. Ainda fizemos mais alguma depois de Martim Longo.
Quando, já de noite, chegámos à Várzea da Azinheira, no Road Book diz que só podiamos entrar até às 20h40. Já estava escuro, mas ainda dentro de hora. Mais uma terra, desta vez sem luz, de cerca de 10kms.
Quando entrámos no último troço, a 13kms do fim, onde era noite escura, e ainda ia ser tudo de terra, a organização sugeriu não irmos por terra, nós por orgulho ferido queriamos ir e finalmente o bom-senso do Faustino (escaldado de ter deixado cair a mota antes) disse que ia pela estrada. Felizmente... :) Aqui perdemos (já estava mais que perdido) mais um controlo.
Seguimos para Olhão, onde se passava na Moviflor (patrocinador) de Olhão para picar o ponto no último controlo. Mas aqui já iamos com 2h de atraso.
Estamos mesmo a chegar ao palanco e oiço o gajo do microfone "Vamos fechar as chegadas oficiais... péra, vêm aí mais umas"
Eu e Faustino - Penúltimos
Rodrigo e Miguel Tiago - Ultimos
Resultados oficiais, pois passado 5 minutos, já com as chegadas fechadas ainda chegaram os dois gajos que pensavamos que tinham desistido, mas que afinal voltaram para a terra. Também não lhes deixaram fazer os ultimos 13kms de terra, nocturna.
No palanco, tudo a brincar connosco por sermos os últimos, o Rodrigo respondeu à letra:
"Fomos os unicos a ir de mota mesmo até ao Pulo do Lobo" (erro meu e onde depois o Faustino teve o azar) e "Mais vale ser o último a chegar que o primeiro a ficar em casa" (o que gerou uma salva de palmas).
22h40 chegada a Olhão. 1842kms
Jantámos Feijoada de Choco
00h35 Arrancar para Albufeira onde iriamos dormir. Aqui o Miguel Tiago já tinha arrancado para Lisboa, pois tinha reunião Domingo às 10h da manhã

1h25: Chegada a Albufeira, 1899kms e ir beber um copo ao Irish Pub de Montechoro
2h15: Casa e o Rodrigo arranca para Lisboa

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